17.05.2007 | História
AO SERVIÇO DA COMUNIDADE

Meio século pouco ou nada representa na dimensão do tempo da história, mas a verdade é que na segunda metade do século XX ocorreu, de forma vertiginosa, uma revolução do modo de vida das populações rurais e na sociedade em geral e a evolução da atividade dos Bombeiros foi fortemente influenciada pelas mudanças que entretanto ocorreram e pelos reflexos que estas tiveram nos sistemas de Proteção Civil.

Em 1953, o concelho de Sardoal era um concelho em que predominava a atividade agrícola e florestal e em que não havia um recanto de terra arável que não estivesse cultivado ou um pedaço de floresta que não fosse tratado.

A vila de Sardoal tinha, ainda, uma intensa atividade comercial e na parte industrial predominavam a indústria das malas, a serração de madeiras e a serralharia civil.

Os incêndios florestais eram raros e de pequena dimensão, uma vez que a floresta andava permanentemente limpa, os incêndios urbanos poucas vezes atingiram uma expressão significativa, a sinistralidade rodoviária era quase inexistente e o transporte de doentes era feito com o meio de transporte que estivesse mais à mão, porque não existia qualquer ambulância no concelho de Sardoal.

O primeiro quadro de pessoal dos Bombeiros Municipais de Sardoal, aprovado pela Câmara Municipal em reunião ordinária realizado em 16 de outubro de 1954, teve 15 elementos (1 Comandante, 1 Adjunto de Comando, 1 Chefe, 1 Bombeiro de 1ª Classe, 2 Bombeiros de 2ª Classe e 9 Bombeiros de 3ª Classe).

Na atualidade o Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal é constituído por 20 profissionais e mais de 50 voluntários, bem preparados tecnicamente para acudir a todo o tipo de situações de emergência.

Durante anos, quase vinte, apenas dispuseram de uma motobomba, de algumas mangueiras, dos machados e algum equipamento de sapador florestal rudimentar.

O primeiro veículo de combate a incêndios só foi adquirido por volta de 1970 e a primeira ambulância só foi adquirida depois de 1977.

Há memórias de antes terem tido um outro carro, uma velha ambulância adaptada a transporte de pessoal, que raramente estava operacional.

Entre 1970 e 1977/78, apenas existia uma ambulância no concelho de Sardoal, que foi oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian, à Santa Casa da Misericórdia de Sardoal.

Hoje, são cerca de 17 veículos, com diversas características que em caso de necessidade podem ser reforçadas com os meios operacionais da Câmara Municipal.

O que existe de comum entre os Bombeiros Municipais de Sardoal e os atuais? Creio poder afirmar, em consciência, que apenas a vontade de servir e o espírito de abnegação e sacrifício, uma vez que as necessidades e os meios operacionais entre uma época e outra são muito diferentes e não podem ser comparados.

Como atual Comandante dos Bombeiros Municipais de Sardoal, presto a mais sentida homenagem aos que foram os primeiros Bombeiros de Sardoal, transmitindo a gratidão da atual geração de Bombeiros, que sei que posso tornar extensiva a todos os Sardoalenses!

José Rosa Reis Curado
(Comandante dos Bombeiros Municipais de Sardoal)

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